Textos

Vincent!

És árvore de longas raízes e dor 
Quanta dor
Não duvide. Creia
Ele está entre teus girassóis
A urdidura cativa os passionais
Que sangue vertem do espírito
Que errantes buscam o caminho
Eu me abraço a ti, me compreendo em ti
Guardo modéstia, não me igualo
Me inspiro
Tenho um fogo em mim, de um amor arrevesado
Amor substantivo de penas prescritas
Amor que pode, que pesa e cria
Por ele choro diante de tuas igrejas
Por ele me calo diante dos teus crespos firmamentos
À noite te miro nas estrelas
No dia me abraso com teus girassóis
Vincent!
Guardo ruivez no coração úmido
Desejo que germine

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Dentro do mundo

Vi o mundo por dentro
Pelos olhos de Picasso
Pelas mãos de Rodin
Pelos pés de Nureyev
Toquei as abas e frestas
Por onde transita a mágica
Vi o mundo por dentro
Pelas encostas de Tosa de Mar
Pelas grades da torre Eiffel
Pelo entardecer de Firenze
Toquei a umidade e o bolor da Idade Média
Pelos canais de Veneza
Pelo Duomo de Siena
Pela dureza de Orvieto
Toquei o mundo por dentro
Pelas feridas de Philip Roth
Pela candura de Quintana
Pela magnitude de Nabokov
Vi o mundo por dentro
Pelos girassóis de Van Gogh
Pelo exercício da fé, pela dúvida, pelo medo
Pelo começo e pelo fim
Ouvi o mundo por dentro
Pela dor de Piaf
Pela heterodoxia de Nina Simone
Pelo sussurro de Chet Baker
Senti o mundo por dentro
Pela alma esgaçada, pelo prazer e pela dor
Enfiei o nariz no mundo
Cherei aromas e provei temperos
Flutuei pelo mundo
Arranhei meu corpo nos cabarés
Alienei minha alma às igrejas
Extraviei meu coração em casa

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